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Djodje ao vivo em Porto de Mós a 30 de junho (Entrevista)

O artista cabo-verdiano, Djodje, lançou em abril, o seu quarto trabalho discográfico intitulado “Newborn”, que representa uma nova fase na sua carreira musical. Este disco já está disponível em todas as plataformas digitais, possui 11 temas, um dos quais “Vamos Fugir”, que interpreta com Cuca Roseta. Em Porto de Mós, o cantor lança o desafio a uma mulher portomosense para subir ao palco e vestir a pele da fadista portuguesa.

O título do álbum é “Newborn”. Qual é o verdadeiro significado para si?
É um álbum muito familiar, que dediquei à minha família e acima de tudo ao meu filho que na altura que eu estava a produzir e a terminar o álbum era ainda um recém-nascido, daí ter escolhido este título, mas também representa uma certa mudança na minha carreira e sinto que estou numa fase diferente e boa, em que tudo o que está a acontecer parece novo e, por isso, também é um renascimento da minha carreira musical a par do nascimento do meu filho.

Sentiu a necessidade de apostar numa diferente sonoridade?
Sim, mas sem perder a essência. Quem já segue a minha música há mais tempo consegue perceber essa mudança mas sem perder a identidade. Continuo a ser o mesmo Djodje, mas musicalmente quis experimentar outras coisas e trabalhar com outros produtores, foi o que eu fiz neste disco.

Em “Newborn” tem a colaboração de Cuca Roseta e Jimmy P. Como foi a escolha destes artistas e como foi trabalhar com eles?
Eu já seguia o trabalho do Jimmy P. há algum tempo, e quando nos conhecemos há cerca de dois anos falámos em fazer alguma coisa. Não sabíamos se seria uma música ou um concerto, mas sempre surgiu vontade de trabalharmos juntos. Surgiu a oportunidade com o tema “A Fila Anda” e foi o sucesso que foi.
Com a Cuca, eu já tinha a composição feita e sempre achei que a kizomba e o fado dariam um bom resultado. Temos alguns elementos da equipa técnica em comum e eles fizeram essa ligação.

Como concilia estas influências multiculturais e mantém a essência da música cabo-verdiana?
O povo cabo-verdiano é mestiço por natureza, crescemos rodeados de várias culturas, influências e géneros musicais, então, para mim, é de certa forma natural ter todas essas influências sem perder a identidade cabo-verdiana.

O sonho de ser cantor nasceu pelo facto de ter nascido numa família de músicos e ter como pai um grande artista cabo-verdiano dos anos 80?
Acho que sim. Não me lembro de viver sem a música. Nasci numa casa de músicos, com uma família de músicos, e acho que o sonho nasceu ao mesmo tempo que o Djodje.

Sente que, na sua música, traz um pouco de Cabo Verde até Portugal?
Um pouco não, acho que trago muito. Apesar de viver há já algum tempo em Portugal, não deixo de ser cabo-verdiano. Ainda bem que a minha música tem sido muito bem aceite aqui e agradeço aos portugueses pela forma como me têm recebido, mas continuo a ser um artista cabo-verdiano a residir em Portugal que não representa só Cabo Verde, mas também os países lusófonos.

Os seus concertos têm estado sempre lotados. Como sente esta grande afluência de público?
Só tenho de agradecer, mas não só ao povo português, também ao do meu país, ao povo angolano e moçambicano por tudo o que têm feito por mim e por me ajudarem, apoiarem e permitirem que eu continue a fazer música.

Estará em Porto de Mós, numa das maiores festas populares da região Centro. O que nos prepara para este concerto?
Acima de tudo, muito boa energia e espero que o pessoal cante comigo. O que mais gosto nos concertos é de ver o público a cantar as minhas músicas. Vamos ter muita dança e muitos efeitos. Trata-se de um espetáculo dinâmico e com muita energia. Confesso que estou ansioso para atuar em Porto de Mós e espero que seja um concerto memorável.