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A Resistência está de volta com “Ventos e Mares”

O novo trabalho do colectivo de Alexandre Frazão (bateria), Fernando Júdice (baixo), Fernando Cunha (guitarra de 12 cordas e voz), José Salgueiro (percussões), Mário Delgado (guitarra de 6 cordas), Miguel Angelo (voz), Olavo Bilac (voz), Pedro Jóia (guitarra clássica) e Tim (voz e guitarra de 6 cordas) escolheu para título uma expressão que traduz o que se encontra quando se trilha um longo percurso. Uma metáfora certeira para uma carreira rica, extensa e plena de triunfos e, claro, de alguns obstáculos naturais que foi preciso vencer com determinação.

A Resistência estreou-se em disco em 1991, semeando “Palavras ao Vento”, um tremendo sucesso que marcou o arranque de uma das mais importantes décadas da história da música pop portuguesa. Seguiu-se “Mano a Mano”, em 1992, e “Ao Vivo no Armazém 22”, lançado no ano seguinte. Foi esse o final de um primeiro ciclo de vida que seria reativado quando a história colocou a Resistência na marca das duas décadas. Em 2014 lançaram “Horizonte” e dois anos depois o duplo “Ao Vivo Em Lisboa”, sinal claro de uma consagração que os elevou ao topo da cena musical nacional levando-os a pisar os maiores palcos do país em concertos verdadeiramente apoteóticos, sempre com a ideia de celebração do grande cancioneiro português como mote primeiro da sua arte.

Muitos quilómetros, muitos aplausos, muitos ventos e mares depois, eis que o grupo regressa aos discos, ainda a sentir todo o carinho que recebeu de públicos invariavelmente rendidos que encontraram na tournée que passou, entre outros grandes espaços, pelo Coliseu do Porto. Agora, já no próximo dia 26 de Outubro, será a vez do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, receber a apresentação do novo álbum deste colectivo, uma obra que reúne uma vez mais alguns dos mais brilhantes exemplos da arte de casar palavras que todos entendemos com melodias que nos definem enquanto geração.

O novo trabalho abre com o clássico “Sete Naves”, um êxito tremendo dos GNR, e alinha criações da Quinta do Bill, dos Clã (a grande “Sopro do Coração”, escrita por Sérgio Godinho) e de Luís Represas com João Gil, de Jorge Palma, dos Delfins, dos Xutos & Pontapés. E há também espaço para uma homenagem ao guitarrista Dudas, figura que acompanhou durante mais de duas décadas o percurso da Resistência e que se retirou dos palcos em 2015. A outra vénia clara de “Ventos e Mares” é oferecida a Pedro Ayres Magalhães, membro fundador deste projecto e autor de muitas e emblemáticas canções que continuam a inspirar estes resistentes.

Com palavras escritas por Rui Reininho, Sérgio Godinho, João Monge ou Jorge Palma – sem dúvida alguns dos melhores letristas de sempre da música portuguesa – arranjos colectivos e desempenhos antológicos pelos músicos que representam também o que de melhor existe na nossa música popular, a Resistência oferece-nos agora um dos melhores trabalhos da sua carreira. Ventos e Mares será, como sempre, celebrado nos melhores palcos, aplaudido pelo mais exigente público nacional, e ouvido por todos os que continuam a acreditar na força das canções.